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Covid-19: RedeTV! exibe reportagem favorável a remédio sem comprovação científica

A RedeTV! exibiu nesta quinta-feira uma reportagem em defesa do uso da Ivermectina como tratamento preventivo para a Covid-19. Como é de conhecimento geral, as autoridades sanitárias não reconhecem a eficácia do tal medicamento, originalmente usado para o tratamento da sarna, tampouco endossam qualquer medida precoce para o controle do vírus. Com sete minutos de […]

A RedeTV! exibiu nesta quinta-feira uma reportagem em defesa do uso da Ivermectina como tratamento preventivo para a Covid-19. Como é de conhecimento geral, as autoridades sanitárias não reconhecem a eficácia do tal medicamento, originalmente usado para o tratamento da sarna, tampouco endossam qualquer medida precoce para o controle do vírus.

Com sete minutos de duração, a reportagem, dirigida ao RedeTV! News, principal jornal da emissora, alega que médicos portugueses solicitaram à Infarmed, versão lusitana da nossa Anvisa, autorização para incluir a Ivermectina no rol de fármacos recomendados para debelar os efeitos da Covid-19. Inclui ainda depoimentos de cidadãos brasileiros que ingeriram o antiparasitário e, sem qualquer base médica, entenderam ter sido curados pelo mesmo.

Segundo o jornal digital "O Observador", de Portugal, a Infarned já reprimiu o anseio dos médicos locais, pontuando que os estudos disponíveis deixam dúvidas sobre a capacidade da Ivermectina.

“(...) Dadas as limitações metodológicas nos ensaios em que a ivermectina foi utilizada e as dúvidas quanto à dose adequada e sua segurança no âmbito da infeção causada pelo SARS-CoV-2, não existem evidências (provas) que apoiem a utilização deste medicamento na profilaxia e tratamento da Covid-19″, expôs o órgão sanitário à imprensa lusitana.

A Ivermectina é defendida por bolsonaristas desde o início da pandemia. Outro medicamento sem eficácia comumente citado nas redes sociais é a cloroquina.

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OUTRO LADO

A RedeTV! emitiu a seguinte nota em resposta ao post do Teleguiado.

"Diferentemente do que informa o texto, a reportagem veiculada no RedeTVNews não é favorável à utilização da Ivermectina. Trata-se de uma matéria jornalística sobre o uso da substância no tratamento preventivo a Covid-19 que volta a ser debatido na Europa, e a relação entre o médico e o paciente.

No entanto, em dois momentos a reportagem destaca a ausência de comprovação científica e das agências controladoras sobre a eficácia do remédio, durante os OFFs da correspondente internacional em Londres, Erika Abreu, e do repórter Giovanni César, de São Paulo.

Erika informa que “a Organização Mundial da Saúde chegou a divulgar estudos que identificavam a ineficácia do medicamento” (2’24” vídeo). Giovanni afirma que “no Brasil, assim como a Cloroquina e a Hidroxicloroquina, a Ivermectina está entre as drogas mais usadas para a prevenção e tratamento de casos leves de Covid-19. Nenhum desses medicamentos têm eficácia comprovada, o que levou médicos e cientistas a não aceitarem a utilização dos remédios nem no tratamento precoce nem quando ocorre a infecção pelo novo coronavírus” (3’43” vídeo).

A matéria menciona que a Infarmed, autoridade nacional do medicamento em Portugal, avaliava os pedidos de uso do remédio como tratamento precoce da doença, após petição criada por um grupo de médicos portugueses para que a substância passasse a ser recomendada em casos de Covid-19. Apesar da correspondente Erika Abreu ter enviado questionamentos à Infarmed, sem obter retorno, no dia em que a reportagem foi ao ar, a agência portuguesa declarou insuficiente a evidência para uso da substância através de sua página na internet. A posição será atualizada no RedeTVNews desta segunda-feira (15) juntamente com o parecer de outras agências reguladoras europeias também procuradas.

A reportagem também ressalta aspectos da doença na relação médico-paciente. Entre as fontes ouvidas, a patologista e pediatra Natasha Slhessarenko, do Conselho Federal de Medicina, expõe a importância de explicar ao paciente o que existe hoje em termos de tratamentos propalados, que são estudos experimentais, conduzindo assim uma relação transparente."