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“Sniper Americano” usa a guerra para reviver a civilização

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Clint Eastwood é excelente ator. Primoroso diretor. Mescla razão e emoção como poucos. Mas é republicano. Reacionário. Esqueçam-no.

O parágrafo acima resume boa parte das críticas a “Sniper Americano” publicadas na imprensa brasileira até a última quinta-feira, data da estreia da película em nossos cinemas.

Sucesso de bilheteria nos Estados Unidos, o azarão do Oscar 2015 recebeu a pecha de panfleto pró-guerra por romancear a trajetória de um “assassino”, no caso, o ex-atirador de elite Chris Kyle, interpretado pro Bradley Cooper.

Produzir um filme para manipular a opinião pública não é crime. No Brasil, já criaram até sites de notícia, em geral bancados por estatais, com essa intenção. O problema no olhar verde e amarelo é a falta de bom senso (ou honestidade) na interpretação do roteiro, que é tudo, menos peça publicitária.

O filme não tenta convencer o público sobre o heroísmo de Kyle – ele já era tratado como herói antes de ser assassinado, em 2013 – ou a boa vontade dos americanos em controlar os ímpetos totalitários do Oriente Médio. Ele busca rememorar algo anterior ao 11 de setembro.

No momento em que ataques bárbaros, como o registrado na sede da revista esquerdista “Charlie Hebdo”, são negligenciados para evitar a “islamofobia”, invencionice que serve apenas para afiar as espadas dos terroristas do “Estado Islâmico”, Clint Eastwood buscou ousadia para lembrar o mundo de que o Ocidente superou suas neuras e só topa batalhas cruentas quando o combate é muito necessário.

O atentado ao World Trade Center não representou uma escalada hollywoodiana, mas uma revolução cotidiana. Nos últimos 14 anos, aceitamos deixar de lado legados e valores que não corrigiam a sociedade, mas poupavam pescoços e evitavam explosões de meninas-bomba.

Os snipers brasileiros miraram a ideologia para perfurar a moral alheia. Erraram até a sala de exibição do filme.

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