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Televisão

Gil do Vigor é outra vítima da democracia de mentira das redes sociais

O título de campeão moral do BBB 21, entregue por Tiago Leifert durante a despedida de Gil do Vigor, é bonito, mas inútil. Participante mais carismático do reality, o embaixador de Britney Spears no Brasil terminou como a personagem “Lucky”, do clipe homônimo: com tudo e sem nada. Não é o primeiro, dificilmente será o último. Na era do engajamento a todo custo, a Globo dificilmente corrigirá o sistema que rende centenas de milhões de visitas diárias ao Gshow. She’s so lucky. She’s a star.

É claro que os fãs de Juliette têm méritos. Mobilizar desocupados, a despeito do que olhamos diariamente no Twitter, é muito mais difícil do que parece. O problema é que essa mecânica de votação, calcada no tudo pelo clique, favorece os especialistas em TI, não os espectadores comuns. Ainda que o BBB 21 seja um fenômeno digital, sua principal tela ainda é a da TV. Ontem, no Rio de Janeiro, o placarzinho da Globo ascendeu aos 34 pontos às 23h20. Muitos desses espectadores certamente dormiram sem entender o que aconteceu. Afinal, por que Gil do Vigor?

Na década de 1990, quando a internet servia para basicamente dobrar nossa conta de telefone, as emissoras de TV que apostavam na votação popular criavam mecanismos para se protegerem dos votantes compulsivos. Tomemos como exemplo o TRL, hit parade da MTV americana. De olhos nos dedinhos nervosos das fãs de Backstreet Boys e N Sync, a direção da Viacom instituiu regras para a entrada e a saída dos clipes. “As Long As You Love Me” atingiu muitas vezes o primeiro lugar? Hall da fama. “Tearin’ Up My Heart” está há 10 semanas na parada? Aposentadoria. Simples assim. No Brasil, fosse na “Casa dos Artistas” ou no “Você Decide”, a premissa era a mesma. O entendimento, em todos esse casos, era um tanto óbvio: o telespectador engajado é parte da nossa audiência, não o todo.

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Ano passado, ao comentar a saída de Felipe Prior, escrevi que o engajamento exibido – e exaltado – naquela noite não tinha a graça e a naturalidade do mago e de seu amigo Babu. Sou forçado a repetir o discurso neste ano. Juliette tem fãs atuantes, mas não tem um décimo da simpatia e da autenticidade do pernambucano de Jaboatão. Daqui alguns anos, ele permanecerá na Globo. Ela, com alguma sorte, fechando a porta da fama no “Superpop”.

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