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Televisão

“Manhattan Connection” é símbolo de uma TV paga que não existe mais

A TV paga era a internet de alta velocidade do início dos anos 1990. Quem não se contentava com as emissoras abertas tinha que recorrer aos decodificadores da TVA e da Multicanal se não quisesse calçar o Rider e visitar a videolocadora do bairro. Para as poucas programadoras presentes no Brasil, duas eram as palavras de ordem na hora de engajar essa massa insatisfeita: segmentação e qualificação.

Entregue ao GNT, que até a estreia da GloboNews era o canal jornalístico da Globosat, o “Manhattan Connection” tinha dois trunfos nas mãos: o elenco estelar e a irresistível – e inédita – ideia de conexão em tempo real com Nova York, a meca do pensamento cosmpolita. O tapete vermelho estava estendido para os espectadores, que não tinham fonte audiovisual para análises mais profundas das notícias do dia a dia, e para os anunciantes, que abarrotavam os breaks das sete reprises ostentadas nos primórdios para vender produtos às classes A e B.

A inesperada morte de Paulo Francis, em 1997, e o fim da estada de Nelson Motta nos EUA, em 2001, esquentaram a cabeça de Lucas Mendes, mas não afugentaram as manhattazanas, que aguardam neste domingo as coordenadas sobre o futuro da atração. O fim do “Manhattan Connection” tem mais a ver com a falência de uma diretriz produtiva do que com os gráficos do ibope. O telejornalismo de hoje, sobretudo no cabo, é adepto da cultura do trending topic. Somos escravos do agora. Por isso, não conseguimos analisar o presente. Projetar o futuro. Nesse cenário, produtos como o “Manhattan” soam descolados, mesmo quando exibidos ao vivo.

Entre o rebaixamento do “Manhattan Connection” ao padrão “Superpop” de debates e o desaparecimento, é melhor mesmo dizer adeus.

Lucas Mendes, o melhor texto da TV, fez história.

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