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MP do Futebol não é vitória certa para Corinthians e Flamengo

Sem rivais dentro das quatro linhas, o Flamengo continua em busca da independência financeira e dos milhões que faltam para ser, de uma vez por todas, mais poderoso que o Palmeiras no mercado. Prestes a anunciar um novo patrocinador, o clube carioca recebeu de Jair Bolsonaro a assinatura da MP que estabelece o “direito de arena”.

O dispositivo, com validade de 120 dias, individualiza a negociação dos direitos de transmissão dos campeonatos nacionais e estaduais, restringindo o poder de barganha a quem joga em casa. Trocando em miúdos: quando o Corinthians joga no estádio do CSA, quem recebe o dinheirinho é o CSA. Quando o Corinthians joga em Itaquera, o dinheirinho é do Corinthians.

Na cabeça dos dirigentes brasileiros, a Globo só não paga mais dinheiro aos clubes grandes por conta da intransigência dos clubes pequenos, que fazem valer seus 50% de participação nos jogos na hora de fechar contratos. Santos e São Paulo, nessa leitura turva, seriam vítimas de Chapecoense e América de Natal. Como se fosse possível…

A Globo, se pudesse, desde sempre negociaria de maneira individual os direitos de transmissão do futebol. Ela não faz isso porque sabe que o modelo é, do ponto de vista financeiro, desastroso. Por mais que Flamengo e Corinthians sejam clubes nacionais de formidável alcance, seria impossível segurar bons índices de audiência nas 15 regiões pesquisadas pela Kantar Ibope Media transmitindo apenas jogos de Flamengo e Corinthians. Especialmente em um país ruim de calendário e organização. Não dá para pontuar bem em São Paulo e cair para a vice-liderança no Rio de Janeiro. E vice-versa.

Existe vida fora da Globo? Até a página 7, se você mora em São Paulo. A Record tem dinheiro de sobra para comprar jogos de futebol, mas vive outra realidade, com investimentos concentrados em outras áreas. Depois do fracasso das duas últimas Olimpíadas, novas aventuras na seara esportiva estão temporariamente suspensas. Band, SBT e RedeTV! não podem sequer sonhar.

A MP do Futebol dá a Corinthians e Flamengo, clubes mais populares do país, o direito de leiloar a própria marca. Não dá, entretanto, garantia de bom negócio. A menos que o mundo mude e o entendimento de parceiros e patrocinadores mude, a Globo ainda está tranquila na parada. Na TV aberta, na TV paga e no pay per view, ela cobra o escanteio e cabeceia bola para o gol.

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