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Televisão

“Aqui na Band” quis compensar ibope baixo com hashtag de robô

Criado para salvar do ostracismo as manhãs da Band, o “Aqui na Band” é a prova cabal de que não há, ao menos no intervalo das 9h às 11h, espaço para outra revista eletrônica na TV aberta. Com “Hoje em Dia” e a trupe da Globo no ar, a promessa dos 3 pontos de média rapidamente se esvaiu para desesperançosos e raros picos de 2 pontos. Quando não era a RedeTV! a incomodar, era a TV Aparecida. Quando não era a TV Aparecida, era a Rede Vida. E nem dava pra culpar o “Bora Brasil”, de Joel Datena, pelo descalabro estatístico. O problema era a repetição – por que a telespectadora deveria trocar César Filho por Luís Ernesto Lacombe?

Com o ibope no pré-sal, a direção do “Aqui na Band” partiu para o tudo ou nada menos original do mercado: o Twitter. Na esteira do bolsonarismo, sempre ativo quando o assunto é Trending Topics, a produção do primo pobre do “Hoje em Dia” recorreu a advogados, deputados e influenciadores associados ao governo federal para ganhar cartaz. Fez bonito na rede social, brilhou um pouquinho no YouTube, mas permaneceu inerte no placar que importa. Como o Teleguiado mostrou em primeira mão, o debate sobre a onda conservadora deu só 0,6 ponto de média em São Paulo. Em Porto Alegre deu 0 de média e 0,2% de share. Se o Windows Vista fosse um programa de TV, daria mais que isso.

O legado do “Aqui na Band”, ao menos nessa primeira fase, é bastante objetivo: rede social é espuma. Em se tratando de TV, é melhor ter um índice modesto de audiência associado à qualidade, credibilidade e carisma do que um punhado de twitteiros ensandecidos e hashtags de ocasião.

Afinal, robô não liga TV. Não compra panela. Nem consome gel redutor de celulite.

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Em tempo: Luís Ernesto Lacombe pediu demissão da Band.

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