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Televisão

Prior eliminado: Globo precisa proteger BBB 20 dos viciados em paredão

Vale a pena receber 1,5 bilhão de votos em dois dias e comprometer a audiência das três próximas semanas?

O paredão que excluiu Felipe Prior da casa é um divisor de águas na 20ª edição do Big Brother Brasil. Para o site UltraPOP, representa o fim da primeira temporada do reality. Para o público menos afeito a competições do tipo, é mais como o fim de uma excelente novela. E a consequência natural, neste caso, é a fuga para SBT, Record, Band, RedeTV!, Canal Rural, Amazon Prime, Cartoon Network, TCM, MTV…

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Ainda na década de 1990, quando a internet servia para basicamente dobrar nossa conta de telefone, as emissoras de TV que apostavam na votação popular criavam mecanismos para preservar o entretenimento. Tomemos como exemplo o TRL, substituto do Top 20. De olhos nos dedinhos nervosos das fãs de Backstreet Boys e N Sync, a MTV americana instituiu regras para entrada e saída de clipes. Atingiu muitas vezes o primeiro lugar? Hall da fama. Está há 10 semanas na parada? Aposentadoria. Simples assim.

No Brasil, antes do AOL distribuir aqueles discos de 40 horas de conexão nos jornais de domingo, os canais abertos já eram obrigados a improvisar em nome do show. Silvio Santos, em 2001, impedia no grito a eliminação de Alexandre Frota. A MTV, para não viciar o Disk, fez de tudo: partiu para o sistema 0900 (o voto custava R$ 3), abriu centrais telefônicas fora de São Paulo e até reprimiu a contagem de votos (entre 2002 e 2006, os clipes subiam e caíam como a bolsa de valores). O entendimento, bastante óbvio, era: o telespectador engajado é parte da nossa audiência, não o todo.

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Os exemplos dos parágrafos acima são de épocas e dimensões diferentes. Antes, era possível corrigir à mão o truque dos fãs ensandecidos. Hoje, não dá. O bilhão e meio de votos do BBB 20 é sintoma de engajamento, mas também de compulsão. Quem se propõe a passar minutos, horas, turnos votando organizadamente em A ou B sabe exatamente como driblar os dispositivos de segurança da internet. A boa-fé da Globo não é antídoto para bots, códigos e viciados.

Princesa do rebranding, Manu Gavassi chega à reta final do BBB 20 com a tarja de favoritaça ao prêmio máximo. O engajamento exibido – e exaltado – nesta noite não tem a graça e a naturalidade de Felipe Prior e Babu, mas decide paredões. Nesse universo de mentirinha, é o que basta.

Fim de novela.

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