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Televisão

Governo erra ao querer equiparar verba publicitária das emissoras de TV

USP Imagens

Na última segunda-feira, 7 de janeiro, Jair Bolsonaro explicou como pretende democratizar as verbas publicitárias de seu governo.

“Nenhum órgão de imprensa terá direito a mais ou menos, naquilo que nós, de maneira bastante racional, viremos a gastar com a nossa imprensa. Que nós queremos, sim, cada vez mais, que vocês sejam mais fortes e isentos, e não sejam como alguns infelizmente o foram a pouco tempo ainda, parciais. A imprensa livre é a garantia da nossa democracia. Vamos acreditar em vocês, mas essas verbas publicitárias não serão mais privilegiadas para a empresa A, B ou C”, disse.

Todo adulto razoavelmente esclarecido sabe que esse papo de “democratização de verbas”, no Brasil, é sinônimo de chantagem e intimidação. O PT passou 14 anos no Palácio do Planalto e não fez nem um décimo do que ameaçava. Limitou-se a criar uma rede de blogueiros safados – estratégia, claro, copiada por Temer e Bolsonaro – e a destruir a TVE para criar a insuportável TV Brasil.

O alvo de Jair Bolsonaro, como sempre, é a Globo. Em vez de equiparar a audiência da emissora ao budget estatal – a Globo reteve 35,9% dos telespectadores e aproximadamente 50% dos “plim-plins” públicos no ano passado -, o governo pretende distribuir verbas idênticas para todas as emissoras. Na prática, isso significa a eliminação de uma distorção orçamentária e a criação de uma nova distorção, ainda mais injustificável.

Entregar à Globo e à Band, separadas por um caminhão de ibope, a mesma verba publicitária é mais um castigo ao dinheiro público do que aos executivos da maior emissora do país. Por mais que a diferença de preços das tabelas de Globo e Band permita a aquisição de muito mais breaks na programação da Band, o alcance  obtido na Globo ainda seria maior.

A discussão sobre a publicidade estatal é saudável e necessária, mas depende de fundamentos claros e objetivos. O governo não pode ser patrão e cliente da imprensa. E é essa relação, em voga desde a proclamação da República, que precisa ser dirimida.

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