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Televisão

A arrogância enforcou o “Vídeo Show”

O “Vídeo Show” inverteria o jogo se deixasse de cobrir exclusivamente a programação da Globo e dedicasse a maior parte do seu tempo a reality shows e outras ilhas de engajamento digital?

Sim e não. Faria bem ao programa, criado para ser vitrine das novelas e atrações da casa, liberdade para repercutir premiações e shows dos concorrentes. A TV americana, muito mais concorrida que a brasileira, não é afeita a narizes empinados. Usar o “BBB”, para citar o exemplo mais óbvio, e fortalecer os laços com o pessoal da segunda tela também não seria má ideia – um debate sobre o reality agradaria tanto o público offline quanto o público online. A questão é: esse “Vídeo Show”, cancelado de supetão no meio da semana passada, tinha lastro para oferecer essas coisas?

As redes sociais democratizaram o acesso ao artista. Os espectadores podem, a hora que bem entenderem, saber a cor da sunga do Nego do Borel, a rotina de Gusttavo Lima com os pequenos Gabriel e Samuel, o passeio que Regina Duarte fez no centro de São Paulo e a intensidade do treino de Gracyanne Barbosa. Essa relação sem intermediários ampliou o senso de pertencimento das pessoas e exigiu dos veículos que cobrem o dia a dia das celebridades a retomada de um estilo mais coloquial, trabalhado décadas atrás nas rádios AM.

Reinaldo Gottino, Fabiola Reipert e Renato Lombardi entenderam o recado da internet sem pestanejar. Com a ajuda de uma cobra de pelúcia, eles reintroduziram a simpatia e a informalidade nas tardes da TV, oferecendo ao telespectador algo mais divertido e convidativo que uma versão piorada do “Acesso MTV” – o novo “Vídeo Show”, do cenário colorido às pautas sem pé nem cabeça, da falta de empatia dos apresentadores às formas de interação, era precisamente isso: um arremedo da velha MTV Brasil.

A emissora mais popular do país, e isso é um senhor contrassenso, não sabe mais ser popular.

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