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Televisão

“Amor & Sexo” tem mais choradeira do que os programas do Geraldo Luís

Das três últimas edições de “Amor & Sexo”, Fernanda Lima chorou em duas. No episódio de 23 de outubro, a emoção desabrochou no debate sobre sexualidade em família. Ontem, 6 de novembro, as lágrimas escorreram em homenagem à Marielle Franco, vereadora brutalmente assassinada há oito meses.

O “Amor & Sexo” atravessa a pior fase em audiência desde sua estreia. Em São Paulo, principal referência do ibope, as surras para “A Fazenda” são semanais – até os carcomidos filmes do SBT ameaçam entrar na festa. A explicação teórica para a derrocada é o avanço da onda conservadora, representada pelo presidente Jair Bolsonaro. A explicação prática, para o azar e o hábito do Brasil, é bem menos instigante.

Resumir nosso país em “progressistas x conservadores” é um despropósito. Tome Lula como exemplo. Hoje ele está na pior, mas na década passada enfileirou tucanos nas eleições direitas e atingiu índices de aprovação inéditos. Apenas pessoas de mente aberta, moderninhas, moravam no Brasil? Um exemplo que faz mais sentido ao objeto deste artigo é “América” – a novela, não o continente. Glória Perez mostrava um cowboy gay às 21h00 e vencia o SBT por 58 a 5, feito impensável para a modorrenta “Babilônia”. A Vila Madalena dormia com a TV ligada? Ou a novela era boa?

Quem liga o televisor às 23h30 de terça-feira e esbarra em um programa chamado “Amor & Sexo” espera nudez e brincadeiras picantes, não aulas de sociologia ministradas por Milly Lacombe. A TV pode educar e quebrar tabus? Com certeza! Mas jamais com dialeto de universidade pública – o povo pode não ter instrução, mas sabe perfeitamente quando é chamado de selvagem e idiota.

Pior que o tom pedagógico é a busca incessante por histórias comoventes. Se dependesse da produção do “Amor & Sexo”, Fernanda Lima choraria nas noites de terça-feira mais ou menos o que Geraldo Luís chora todos os domingos. A diferença é: o programa de Geraldo existe para emocionar, cativar, prender a atenção da dona de casa. O show da Globo – em tese – existe para entreter e, com alguma sutileza, informar. Por enquanto, presta apenas para tirar a libido do telespectador.

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