Congresso flerta com cassino no Brasil e a gente viaja nas (possíveis?) residências musicais
Vira e mexe, como uma roleta que insiste em girar sozinha no canto da sala, surgem novamente as discussões sobre liberar cassino no Brasil. Parece meme, mas não é: a pauta some, volta, some de novo, reaparece com outra cara e agora está aí, reencarnada no Projeto de Lei 2.234/2022.
A proposta prevê liberar jogos e permitir a instalação de resorts-cassino no país, com limite de um por estado, exceto os grandalhões, em população ou extensão, que poderiam ter dois ou até três, no caso de São Paulo. A gente sabe que esse tipo de debate sempre gera polêmica, textão, exortações morais, memes e discussões intermináveis de grupo de WhatsApp.
Mas, sejamos sinceros. Por mais delicado que seja o tema, ele acende aquele canto imaginativo da cabeça que começa a perguntar: ok, mas e se esse tal cassino no Brasil realmente virasse realidade? Como seria? Quem tocaria nesses palcos? Teríamos nossa própria mini–Las Vegas brasuca?
A gente puxa o fio e logo ele desembola numa avalanche de possibilidades. Porque se tem algo que o pop, o indie, o alternativo e a cultura de festival ensinaram pra gente nos últimos anos é que o público está sempre disposto a viver experiências diferentes.
E se o Brasil inteiro se divide entre “pode sim”, “jamais” e “vamos ver”, ninguém pode negar que uma coisa Las Vegas acertou: transformar shows fixos, longas temporadas e espetáculos permanentes em parte da mística da cidade. Residências musicais são quase um gênero próprio. Não são turnê, não são festival, não são show avulso; são um estado de espírito.
Enquanto isso, o cassino no Brasil já existe
Se a legalização do cassino “físico” ainda está naquele modo “vai, não vai”, a prática já se infiltrou no comportamento da galera online. Basta olhar para o meteoro das bets, que tomou uma proporção quase assustadora.
A gente piscou, abriu o celular e, de repente, lá estavam elas: influenciadores fazendo publi, telões nos estádios estampando marcas e até reality shows patrocinados. Em apenas uma plataforma que oferece cassino no Brasil, mais de 90% das rodadas vêm de jogos de slot online.
Opinião sobre jogo à parte (e aqui cada um carrega sua própria régua moral), é inegável que o imaginário do cassino no Brasil, se um dia sair do papel de verdade, vai tentar beber um pouco da fonte clássica: brilho, festa, experimento, música acontecendo todas as noites. E é aí que o brasileiro, que já faz carnaval e festival como ninguém, pode pegar esse molde e transformar num espetáculo único.
Las Vegas pavimentou esse caminho, até para os indies
Chegamos no ponto inevitável: Las Vegas. A capital mundial dos cassinos virou, com o tempo, também a capital das residências musicais. O que começou com Elvis, Sinatra, Celine Dion, Elton John e Cher, evoluiu para uma segunda geração de shows fixos que abraça tudo que a indústria inventou nos últimos 30 anos.
Recentemente rolaram movimentos interessantes: de Katy Perry a Lady Gaga, passando até por nomes que, num primeiro pensamento, jamais imaginaríamos naquele território. Tipo o The Killers, filhos de Vegas, que deu à celebração dos 20 anos do primeiro álbum, Hot Fuss, toda a pompa e circunstância que merecia com residência em cassino na sua cidade natal.
Ou seja, se até o indie encontrou porta aberta no deserto de néon, por que não imaginar algo semelhante por aqui, caso um dia algum cassino no Brasil fosse autorizado a operar com a mesma lógica de entretenimento permanente? Um palco fixo, iluminação absurda, tecnologia de ponta, plateias internacionais e nacionais se misturando, temporadas temáticas, setlists mutantes, convidados surpresa… tudo cheira a possibilidade.
E aí vem a pergunta irresistível:
Se isso acontecesse, quem a gente gostaria de ver inaugurando essa brincadeira tropical?
Pegamos alguns nomes que conversam entre si, conversam com o público da música alternativa, conversam com os palcos de festival e, principalmente, conversam com o espírito de espetáculo permanente.
Sem listas, sem ordem de chegada, só imaginação pura e algumas doses de neon.
Phoenix: a elegância francesa virando festa brasileira todas as noites
Os franceses do Phoenix têm uma característica que casa perfeitamente com a ideia de uma residência em cassino no Brasil: o equilíbrio entre sofisticação e festa. São chiques sem serem distantes, dançantes sem serem óbvios, irônicos sem perder o charme.
Um resort-cassino poderia abraçar esse universo e montar um show quase cinematográfico, cheio de luzes quentes, telões minimalistas, estética new wave modernizada e aquele ar parisiense que eles carregam mesmo quando estão tocando “Lisztomania” em qualquer canto do mundo.
Imagine o Brasil recebendo turistas para assistir à “noite Phoenix”, com versões estendidas, rearranjos e talvez até uma sala lateral com DJs da cena francesa e brasileira misturados. Um cassino no Brasil viveria muito bem com esse toque europeu.
Norah Jones: o respiro intimista que equilibra o caos externo
Norah Jones tem aquele poder raro de criar um universo inteiro de calma em uma melodia. Em um cassino no Brasil, onde tudo seria LED, música alta, gente circulando, agito, drinks fluorescentes e telas vibrando estatísticas, ela seria o contraponto perfeito.
Sua residência teria cara de teatro aconchegante, cortinas profundas, iluminação quente, instrumentos de madeira ocupando o palco e arranjos que misturam jazz, country, blues e pop. Norah transformaria o espaço num refúgio emocional, daqueles em que você entra sem perceber que está precisando respirar.
Uma temporada dela poderia inclusive criar um novo imaginário do que é um show fixo: menos espetáculo explosivo, mais experiência sensorial.
PJ Harvey: a entrega emocional transformada em ritual noturno
Se a ideia é ter algo impactante, teatral, completamente fora do lugar-comum, PJ Harvey é praticamente um destino inevitável. Sua presença de palco tem algo de ritual, de performance artística, de voz que dobra o tempo em si mesma.
Uma residência de PJ Harvey em um cassino no Brasil teria tudo para ser uma espécie de anti-Vegas — e por isso mesmo seria perfeita. Nada de purpurina exagerada: seria luz fria, sombras marcadas, figurinos que se transformam, instrumentos pouco usuais e arranjos reinventados a cada bloco de shows. Ela faria daquele palco um templo. Seria o espetáculo para o público que não quer só entretenimento, mas experiência transformadora.
LCD Soundsystem: a pista de dança que nunca fecha
Agora, se a gente quer um show que justifique cruzar o saguão de um cassino às 23h30 com um drink improvável na mão, o nome é LCD Soundsystem. James Murphy e companhia nasceram para transformar qualquer estrutura em pista de dança existencialista. Onde a alma pensa, mas o corpo resolve a discussão primeiro.
Uma residência deles teria cara de festa permanente: telões com glitch, percussões analógicas espalhadas pelo palco, sintetizadores tomando o espaço, luz estroboscópica calculada e aquela sensação indescritível de estar num espetáculo que é ao mesmo tempo um show, uma rave e uma reunião de terapia coletiva. Seria o show residente que mais faria o brasileiro adiar a hora de ir embora.
Pabllo Vittar: a diva brasileira que já nasce pronta para esse formato
E aí chegamos a Pabllo Vittar, que talvez seja a pessoa mais naturalmente preparada para uma residência em cassino no Brasil. Ela já opera naquele lugar de estrela pop total: performance, dança, figurino, vocal, storytelling, energia infinita e uma base de fãs que toma qualquer ambiente de assalto.
Uma temporada da Pabllo teria glitter industrial, coreografias milimetricamente ensaiadas, convidados surpresa, momentos acústicos que ninguém espera, explosões de tecnobrega, câmeras giratórias e aquele sentimento de “não acredito que isso é real e está acontecendo todas as noites”. Pabllo entregaria exatamente o que uma residência brasileira precisa: brilho, exagero, redenção pop e um show que muda a cada capítulo.
Se o tal projeto avançar, se um dia realmente existir um cassino no Brasil operando com estrutura de resort, gastronomia, teatro, club e todo o imaginário Vegas-like, não sabemos. Mas pensar no line-up ideal é um exercício divertido, porque revela como a música sempre encontra um jeito de se misturar com tudo.
E se for para imaginar o futuro, que seja com neon, pista, poesia, jazz, tecnobrega, guitarras tortas e o público brasileiro fazendo o que faz de melhor: transformar qualquer ideia em espetáculo.