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Imprensa

Louro José é mais adulto que o site de fofocas da Folha

Foto: TV Globo/Frederico Rozario

Tony Goes, colunista do F5, site de fofocas da Folha de São Paulo, escreveu a seguinte besteira a respeito de Louro José, personagem imortalizado por Tom Veiga, ator encontrado morto neste domingo, no Rio de Janeiro.

“A presença do Louro José no ‘Mais Você’ trazia leveza ao programa. Suas tiradas aliviavam as muitas barras pessoais que a apresentadora enfrentou nessas duas décadas, como casamentos desfeitos e problemas de saúde. Mas também era um sinal de que o espectador da TV aberta de hoje é bem menos sofisticado que o de 30 ou 40 anos atrás”.

Quem lê o puxão de orelhas de Tony Goes deve imaginar que ele escreveu “Curb Your Enthusiasm”, “Barry”, “Epitáfios”, “The Wire”, “Six Feet Under”, “Hill Street Blues” e era, nas horas vagas, assistente de David Lynch em “Twin Peaks”. Nada disso. Cabia a ele compor a equipe de escribas da sitcom “Partiu Shopping”, estrelada por Tom Cavalcante e exibida no Multishow até outro dia.

Não há problema algum em escrever produtos para o grande público. Mesmo no Brasil, onde os especialistas em cultura sabem menos que os espectadores, é raro público e crítica concordarem em algo. O problema é a falta de semancol de Tony Goes. Se um fantoche, na cabeça atarantada dele, é exemplo de regressão – e não é –, o que dizer do velho humor de claque e dos estereótipos de “Partiu Shopping”?

Pior que a leitura do presente é a falsa impressão sobre o passado. Quando a imprensa mainstream quer puxar sardinha para o progressismo contemporâneo, tira do bolso contos da carochinha para afirmar que a TV dos anos 80 era racista, homofóbica e conservadora. Se o intento é diminuir o trabalho de um desafeto ou de alguém que não faz parte da patota, embarca no saudosismo de quinta. Louro José não é popular porque o brasileiro é burro. É popular porque cumpriu seu papel com louvor. Qual papel? O de segurar um público diverso, em um horário cascudo, por quase 20 anos. Tirando a Ofélia, da Cozinha Maravilhosa, ninguém tem mais cancha de programa feminino que Ana Maria Braga. E o império dela foi construído com suor, trabalho e penas de papagaio de pelúcia. Sem claque.

Conheço uns 16 ou 17 fantoches mais articulados que Tony Goes. Pena a Folha não ser editada por aqueles velhinhos rabugentos de “Os Muppets”.

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