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Imprensa

Tony Tornado, Chico Buarque e a tal internet indignada

Vai mal, muito mal, a “grande imprensa” brasileira. Na mesma semana em que a Folha caiu no golpe da Alshop e atribuiu ao Ibope uma pesquisa que não existe, o UOL, braço digital do Grupo, resolveu vender a ideia de que a internet, esta entidade misteriosa, estava indignada com um comentário inofensivo do multitalentoso Tony Tornado sobre os dotes vocais de Chico Buarque.

Para começo de conversa, não existe “internet indignada”. O que existe é amostragem viciada. Quando um redator precisa bater meta de postagens e não tem releases para copiar e colar no publicador, seleciona cinco ou seis tweets sobre um tema qualquer e fabrica uma polêmica. Pode reparar: a maioria dos sites pinça frases de Silvio Santos e Faustão para encorpar suas home pages dominicais. É um expediente que empobrece o jornalismo e facilita a vida dos guerrilheiros culturais que desejam destruir a imprensa e instituir a “nova era”, mas permanece em voga em nome da audiência – como se o valor do clique lembrasse remotamente o do anúncio impresso, morto e enterrado há anos.

A falta de originalidade das redações chamaria muito menos atenção se as polêmicas de fachada tivessem um mínimo de lógica. Chico Buarque é um intelectual festejado e premiado, mas não é popular. Seu último sucesso comercial inédito foi a música “Carioca”, muito tocada nas rádios A/B das capitais e reverenciada pela MTV no VMB de 1999. Para o grande público, ele é um homem inteligente que aparece nos telejornais falando difícil, não um hitmaker como Leonardo, Fábio Jr ou Guilherme Arantes. Alguém com esse perfil teria a voz tão endeusada? Parece lógica a resposta.

Cada veículo tem a mamadeira de piroca que merece.

O Teleguiado não caiu no conto do vigário dos shoppings. Jornalismo de qualidade exige recursos?

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