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Roteiro com responsabilidade social: a última barbeiragem do Omelete

(Photos: Victor Moriyama)

O Omelete reclamou do texto de “Rio Heroes”, série do Fox Premium sobre a trajetória  de Jorge Pereira, criador de um campeonato clandestino de luta livre transmitido via streaming nos Estados Unidos. Para os bestalhões da cultura pop tupiniquim, o roteiro é um mau “emissor de impressões”, pois apresenta o protagonista como um “macho-alfa-primitivista”, entregando a ele “frases perigosas de exaltação ao que existe de pior no ser humano: sua capacidade de ser violento deliberadamente”.

“Nesses tempos em que playboys sarados da classe média espancam pessoas na noite, um produto como “Rio Heroes” precisa ter muito cuidado para não soar um argumento de defesa dessa natureza por vezes tão nociva. Ficção não tem que ser responsável, mas tem que entender sua responsabilidade”, alega Henrique Haddefinir, a Marilena Chaui das séries de TV.

Ninguém questiona a cretinice dos “playboys sarados da classe média”. Eles são um problema para a sociedade e, sem sombra de dúvidas, merecem ser castigados. O combustível desses panacas, no entanto, não é “Rio Heroes”, “Esquadrão Classe A” ou “Jiban”. É a frouxidão da justiça. Quem responde pela realidade não é a ficção. É a sociedade. E só os imbecis que denunciam a desonestidade do Pica Pau, desenho da época do guaraná Brahma, não compreendem isso.

É plenamente compreensível a interferência do Estado na liberdade de jornalistas e artistas. Os políticos fazem o que podem para domesticar os inimigos. O que não é aceitável é um site de cultura pop cobrar responsabilidade social de um roteiro de televisão. Se esse pensamento tacanho, preguiçoso, animalesco, dominasse os EUA, David Chase jamais emplacaria “Sopranos” na HBO. E “South Park” não passaria do episódio da sonda anal.

O problema dos comunicadores brasileiros não é o progressismo. Bill Maher é progressista e é simplesmente brilhante. O problema, por mais estranho que possa parecer, é o excesso de leitura. Nossas universidades derretem o cérebro dos jovens, anulando o raciocínio e a personalidade de todos eles. O resultado é esse aí: gente incapaz de diferenciar ficção e realidade.

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