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Cinema

Bruna Surfistinha não é o problema da Ancine

Jair Bolsonaro tem apelado à moral tupiniquim – como se o povo que fez o SBT registrar 44 pontos de audiência com uma quase cena de acasalamento entre Gretchen e Van Damme tivesse algum pudor – para justificar a mudança de direção da Ancine. A ordem é: mais valores cristãos, menos filmes sobre Bruna Surfistinha. Ou, como assinalou Josias Teófilo, queridinho de Olavo de Carvalho, mais filmes evangélicos, menos alta cultura.

O discurso presidencial renderia um ótimo debate com Léo Áquila no “Superpop”, mas subverte a lógica. O financiamento público de filmes é, antes do alçapão ideológico, um problema econômico de simples compreensão.

Um país onde metade da população é obrigada a cagar em latas de feijão não pode, nem pelas mãos do melhor roteirista, esnobar R$ 300 mil em tributos para um cineasta contar uma história que, na melhor das hipóteses, reunirá 10 mil testemunhas no cinema.

Nem mulheres peladas, nem reacionários peludos. O cinema brasileiro precisa se virar. Para ontem.

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