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Cinema

Ideologia é o menor problema de “1964: o Brasil entre armas e livros”

Não fosse a falta de inteligência da esquerda, que alavancou para a primeira página dos jornais um produto segmentado e pouco palatável, “1964: o Brasil entre armas e livros” dificilmente somaria 4 milhões de espectadores em menos de uma semana.

O documentário da Brasil Paralelo tem fôlego bibliográfico e disposição para chamar as coisas pelos nomes corretos. Os entrevistados combatem a narrativa fantasmagórica da esquerda, que omite a sanha ditatorial dos movimentos revolucionários da época, sem fechar os olhos para o golpismo irremediável dos militares e as consequências nefastas dessa ruptura democrática à direita. Os problemas em torno da produção não são ideológicos. São artísticos.

Para atenuar a modorra do filme, que mais parece um telecurso de 120 minutos de duração, os produtores concentram todas as fichas na trilha sonora. Como o “Superpop” da época do “Vai Encarar?”, todas as declarações vêm escoltadas por musiquinhas pouco imaginativas, que não geram tensão e só servem para irritar o público.

A apresentação do documentário é linear e, até certo ponto, didática. A falha está na distribuição de tempo dos tópicos. A frente dedicada ao PC Soviético é, por vezes, redundante e rebuscada. No país da mamadeira de piroca, o segredo é passar a informação de forma objetiva e leve. A esquerda sabe disso desde os anos 1960. A direita, por preguiça ou incapacidade, não.

Assista ao documentário no player abaixo.

 

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