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Cinema

2018: o ano em que a diversidade e os filmes de terror triunfaram no cinema

Em 2018, a bilheteria foi dominada por super-heróis. Até aí, nenhuma novidade. O campeão do ano, porém, indica uma mudança significativa em Hollywood. Sem grandes estrelas no elenco ou o apelo de personagens mais populares, “Pantera Negra” conseguiu superar “Vingadores: Guerra Infinita” e a animação “Os Incríveis 2”, chegando na casa dos US$ 700 milhões. É importante lembrar que “Guerra Infinita” é um megazord de super-heróis, reunindo Homem de Ferro, Capitão América, Thor, Hulk e muitos outros – além de ostentar atores reconhecidos como Chris Pratt e Scarlett Johansson, a atual atriz mais bem paga do mundo, de acordo com a Forbes. E, mesmo assim, “Pantera Negra” venceu.

Desprezar todo o impacto do terceiro longa-metragem de Ryan Coogler, diretor de apenas 32 anos (os irmãos Russo, de “Guerra Infinita”, estão chegando na casa dos 50; Brad Bird, de “Os Incríveis 2”, tem 61), é ignorar a realidade e apostar contra o futuro. “Pantera Negra” vem aparecendo em várias listas de melhores do ano e já foi pré-selecionado pela Academia para concorrer ao Oscar nas categorias de melhor maquiagem, trilha sonora, música original e efeitos especiais (as categorias principais ainda não foram divulgadas). O filme em si está longe da perfeição, mas é um fenômeno global que apenas os reacionários mais delirantes, sem qualquer compromisso com o meio, podem desmerecer.

O ano foi, aliás, especialmente irritante para os “politicamente incorretos” que zombam de conceitos “esquerdistas” como inclusão e representatividade. Além do triunfo de “Pantera Negra”, filmes com protagonistas asiáticos, como “Podres de Ricos”, “Buscando…” e “Para Todos os Garotos que Já Amei”, foram sucessos de crítica e público. A Netflix revelou que “Para Todos os Garotos” (escrito e dirigido por mulheres) foi um dos seus títulos originais mais vistos em 2018. Cerca de 65 milhões de assinantes, metade de todos os usuários, assistiram ao filme mais de uma vez. Comédias românticas com personagens LGBT, como “Com Amor, Simon” e “Não Vai Dar”, também se saíram bem.

Outro gênero triunfante foi o terror. Com orçamentos modestos, obras como “Um Lugar Silencioso”, “Halloween” e “A Freira” (todos entre os 25 títulos mais lucrativos de 2018) renderam resultados espetaculares para os estúdios da Paramount, Universal e Warner, respectivamente. Em um mercado tomado pela Disney, que inclui também as produções da Marvel, da Pixar e de Star Wars, o terror se firmou como uma forma barata e eficiente de competir com as megaproduções. “Um Lugar Silencioso”, por exemplo, custou apenas US$ 17 milhões e faturou US$ 188 milhões, “Solo: Uma História Star Wars” (o primeiro grande fracasso da franquia) rendeu U$ 213 milhões, mas custou US$ 300 milhões.

Em suma, as duas características predominantes de 2018, que devem ecoar também pelos próximos anos, foram diversidade e cinema de gênero. Sim, ainda há uma saturação de super-heróis, com muitas sequências, refilmagens, reboots e spinoffs, mas o público também demonstrou um forte interesse por comédias românticas originais e filmes de terror mais despretensiosos, sempre com rostos novos e perspectivas diferentes. É um bom sinal. O cinema depende da renovação (do público e dos cineastas) para continuar vivo.

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