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Cinema

“Bohemian Rhapsody” é um réquiem para a carreira de Bryan Singer

Os créditos de “Bohemian Rhapsody” mentem. Demitido muito antes da conclusão das filmagens, Bryan Singer não merece os créditos de diretor (e só ficou como tal por uma burocracia do sindicato). De acordo com o Hollywood Reporter, Singer desaparecia do set sem qualquer aviso e, quando dava as caras, chegava atrasado e despreparado – confrontado pelo atraso, às vezes chorava. Uma vez, ficou frustrado e atirou um equipamento elétrico no chão. Por fim, o ator Rami Malek prestou uma queixa formal ao estúdio e o diretor de 53 anos foi substituído por Dexter Fletcher, que ficou sem o crédito oficial de diretor. Vale lembrar também que Singer já foi acusado de abuso sexual de menores, mas, por algum motivo, continua a trabalhar em Hollywood.

Por que prestigiar ou continuar empregando um diretor – depois de abandonar “Bohemian Rhapsody”, Singer já foi contratado para outra megaprodução – que, além de uma carreira medíocre, não consegue manter um profissionalismo mínimo? Não estamos falando de Roman Polanski ou de Woody Allen, mas de Bryan Singer, diretor de “X-Men” e do sofrível “Superman – O Retorno”. E por que associar o nome de Freddie Mercury com uma figura tão repugnante? São questões que, ao decidir pelo ingresso do cinema, o fã de Queen pode refletir ou decidir ignorar. Sobra, então, debater a qualidade do filme.

Malek faz o impossível, brilhando por trás de dentes postiços tão exagerados que, às vezes, o impedem de falar. A primeira metade de “Bohemian Rhapsody” é até divertidinha, mas logo cai nos clichês mais óbvios das biografias do estrelato: as drogas, o sexo desenfreado, a imprensa maldosa, a doença incurável e a redenção (tudo, é claro, encoberto por um grosso véu de sugestões para manter a classificação americana de apenas 13 anos). A vida de Freddie Mercury não merecia um tratamento tão asséptico e simplista, que resume a reprovação paterna em um bordão e transforma o parceiro em “amigo”.

As músicas são excelentes, é claro, mas não é o suficiente para manter o interesse. No final, há uma sequência interminável do show do Queen no Live Aid que poderia ser substituída pelo vídeo do próprio show ou por uma boa playlist de músicas no Spotify. O filme acaba sem termos noção de quem Mercury realmente era e por que a chance de contar a sua história foi tão desrespeitada e desperdiçada. Talvez seja a hora de abandonar as biografias das estrelas por completo. E também de parar de contratar Bryan Singer.

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