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Cinema

“As Viúvas” mistura ação e drama social

Os primeiros segundos de “As Viúvas” retratam um beijo nada cenográfico, com muita língua, entre Veronica e Harry (os atores Viola Davis e Liam Neeson). Não é comum ver uma protagonista negra, de 53 anos, retratada de forma tão sensual – e beijando um homem branco. Ganhadora do Oscar de Melhor Atriz por “Um Limite Entre Nós”, Davis interpretou a esposa de Denzel Washington no filme de 2017. Em “As Viúvas”, no entanto, ela é a personagem principal e não o seu marido fictício.

“Jamais pensei que me casaria com um branco ou com um criminoso”, Veronica resmunga. Harry é o cabeça de um roubo desastrado que resulta na morte de toda a gangue e também na destruição de dois milhões de dólares da campanha de Jamal Manning, um candidato a vereador ligado ao crime organizado. Manning (Bryan Tyree Henry) quer o dinheiro de volta e decide cobrar as viúvas dos bandidos, que nunca fizeram parte dos roubos.

Junto com Linda (Michelle Rodriguez) e Alice (Elizabeth Debicki), Veronica começa a pôr em prática um plano para devolver o dinheiro de Manning e recomeçar a vida sem qualquer dependência financeira. Com roteiro de Gillian Flynn (autora de “Garota Exemplar”) e Steve McQueen (diretor ganhador do Oscar por “12 Anos de Escravidão”), “As Viúvas” é um híbrido fascinante de filme de ação com drama social, uma espécie de “Oito Mulheres e Um Segredo” mais realista e reflexivo, em que os homens são utilizados como ferramentas da trama.

Além de “12 Anos de Escravidão”, o diretor inglês Steve McQueen é conhecido por obras artísticas como “Shame” (2011) e “Hunger” (2008) – todos centrados em personagens masculinos, sempre com a atuação de Michael Fassbender. É revigorante ver McQueen tratando de mulheres tão diversas e alcançando um equilíbrio delicado entre o cinema comercial e o cinema mais contemplativo, o que irá, com certeza, chamar a atenção da Academia.

Viola Davis é a estrela incontestável de “As Viúvas”, mas destaco também a vulnerabilidade da altíssima Elizabeth Debicki, além das atuações de Colin Farrell como o adversário político de Manning, de Robert Duvall como uma espécie de José Sarney de Chicago e Daniel Kaluuya (de “Corra!”) interpretando um gângster assustador.

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