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Cinema

DC falha mais uma vez em “Liga da Justiça”


Em “Exterminador do Futuro 2”, quando John Connor telefona para sua madrasta e é atendido por uma mulher que demonstra preocupação, ele logo percebe que há algo de errado. Sua madrasta nunca havia sido boazinha. Uma imitação – no caso, um robô assassino vindo do futuro – entrega aquilo que ela considera ser o esperado, gerando resultados variados, mas quase sempre provocando uma sensação de estranheza, pelo motivo puro e simples de não ser a coisa em si. Neste sentido, o exterminador T-1000 tem muito em comum com o último filme da DC Extended Universe. Na verdade, chamar “Liga da Justiça” de filme é quase um exagero. É mais um emaranhado de cenas em sequência com pouca ou nenhuma coerência, grandes personagens desperdiçados, dinâmicas chupinhadas da Marvel, e uma tentativa fracassada de analogia envolvendo luz/escuridão, medo/esperança.

Eles tentaram, é verdade. Há mais humor, considerando os filmes da DC, mas a maioria das piadas não funciona. As primeiras piadas de Barry/Flash (Ezra Miller) são engraçadas e depois o personagem descamba ao exagero, fica bobo alegre. Sua relação com Batman (Ben Affleck) é uma cópia descarada da dinâmica entre o Homem-Aranha e o Homem de Ferro em “De Volta ao Lar”. Qualquer suspiro de alívio que Mulher Maravilha (Gal Gadot) possa trazer ao filme é engolido pelo close da sua bunda em uma apertada calça de couro e mais ângulos baixos que mostram suas nádegas em todos os detalhes. Também não há química alguma entre Gal Gadot e Ben Affleck (que, aliás, está com cara de cão sem dono o tempo todo), mas os produtores insistem em sugerir romance entre os dois.

Em cenas de menos de dois minutos, aprendemos que Aquaman (Jason Momoa) foi abandonado pela sua mãe e, por isto, ele agora é babaca e tem mechas californianas; Victor/Cyborg (Ray Fisher) foi um experimento científico, a mãe também morreu, não sabemos o motivo. A falta de cuidado com os personagens mostra que a DCEU não tem a menor ideia de como Mulher Maravilha se tornou um sucesso de bilheteria. Não foi a bunda de Gadot, não foram as piadas, não foram as explosões, mas uma história com começo, meio e fim de uma única personagem. Basta tratar o personagem com respeito, inclusive o vilão. O Lobo da Estepe (Ciarán Hinds) é apresentado com tanta pressa, só pode causar efeito em quem já o conhece dos quadrinhos.

O pior, talvez, é a aparência de “Liga da Justiça”. O CGI é tão vergonhoso, as cenas aquáticas parecem um filme pirateado, um borrão cinzento e indefinido, mesmo quando assistido em IMAX. O final apocalíptico é amador, parece feito por fãs em um computador caseiro. As cenas de ação são mal feitas, mal coreografadas; não se vê o que acontece. Juntando isto a frases de efeito como “my man!” ou “meu chapa!” e “boo-ya!” ou “isso aí!”, não sobra muito. Há sim, momentos de emoção, como o retorno do Superman (o que não é spoiler para ninguém que viu alguma propaganda ou algum cartaz).

A DCEU ainda está devendo a esses personagens filmes melhores do que “Liga da Justiça”.

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