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Honradez da PM Kátia da Silva não tem a ver com esquerda ou direita

O Brasil é patrulhado por duas milícias. O flanco esquerdo, correto na incorreção, é dominado pelos petistas. O direito, incorreto na correção, é bancado pelos bolsonaristas. Cada bolsão tem o seu dialeto. A sua cartilha.

Kátia da Silva Sastre, PM da zona leste de São Paulo, provou, no último sábado, estar alheia a tudo isso. Ameaçada por um homem armado que minutos antes tentara assaltar outras mulheres, soube proteger a própria vida e garantir a segurança das mulheres e crianças próximas do local do crime. Correndo risco de morte, desferiu três tiros no bandido. A funcionária pública à paisana acabara de cumprir seu difícil papel.

Não existem pessoas apolíticas no Brasil. Todos têm convicções – por piores que elas sejam. Kátia recebeu homenagens do governador Márcio França, do PSB, mas não assentiu qualquer vinculação partidária. Discreta e correta, permaneceu à margem da polêmica. No ano em que a segurança pública pode – e deve – determinar o próximo presidente do país, a policial militar brasileira mais famosa do mundo preferiu o silêncio. O respeito.

Com revólveres e mouses nas mãos, os brasileiros são eloquentes e muito valentes. De sábado para cá, as imagens da operação “Kátia da Silva” cruzaram algumas vezes a linha imaginária que divide o lulismo e o bolsonarismo. Para os encapuzados da esquerda, houve excesso de violência na ação. Para os aloprados da direita, houve comiseração da policial militar – por que não expor os miolos do cidadão no asfalto quente?

É extenuante viver no Brasil sem ter um rompante qualquer ou simplesmente surtar. Tudo aqui conspira contra o progresso. A alma tupiniquim quer saber da distribuição de propina, não da distribuição de renda. Quer saber de vingança pessoal, não de prosperidade social. Nesse cenário umbiguista e hipócrita, a generosidade de Kátia da Silva vale ouro. E é injusto que esse ouro pare nas mãos dos milicianos da rede.

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