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Ascensão e queda de Augusto Liberato

O que aconteceu com o Gugu?

Em suas duas passagens pela Record, o apresentador abriu mão do entretenimento do “Domingo Legal” e do “Viva a Noite”, dois dos melhores programas de auditório da história da TV brasileira, e apostou todas as fichas na emoção e no assistencialismo new age do Brasil politicamente correto.

Pretendido pela Globo já na década de 1980, Gugu atraiu toda a atenção do mercado em 3 de março de 1996, com a cobertura do acidente dos Mamonas Assassinas. Com informações ao vivo e imagens da tragédia, o apresentador atingiu 37 pontos de média e 47 pontos de pico, liderando o ibope com muita folga por mais de 3 horas.

Para quem nunca viu, ou simplesmente não se lembra, o canal do Teleguiado no YouTube apresenta uma cópia desse “Domingo Legal” – assista também no fim do post. Mesmo no SBT, emissora que não investia em jornalismo, Gugu e seu diretor, Magrão, entregaram um produto final interessante e com a agilidade do rádio. Ocorreram, claro, alguns exageros, como a coleta de objetos pessoais dos integrantes da banda e a participação de Mãe Dinah, mas nada anormal.

A entrada de Gugu no jornalismo ficou ainda mais forte com o passar do tempo. Com a ajuda do Comandante Hamilton, Gugu virou o “muso da rebelião” em 2000 e 2001. Numa época em que a internet era encartada em CDs e tinha prazo de validade, a referência mais próxima de notícia em tempo real aos domingos passou a ser o “Domingo Legal”. A audiência, ascendente, apenas corroborava a estratégia.

Dinâmico, o “Domingo Legal” trabalhava com várias frentes. Havia a informação, havia o entretenimento, havia a polêmica. O ibope minuto a minuto ditava o ritmo e a duração de cada atração. A repórter Silvana Kieling, por exemplo, ganhou notoriedade ao passar uma noite na cadeia de Votorantim. Era o “Sentindo na Pele”, quadro repetido até hoje.

Os sabonetes da “Prova da Banheira”, mais genuína manifestação social do Brasil, também aqueciam os índices do “Domingo Legal”. O casting só ficava completo com as presenças das personalidades, algumas internacionais, que faziam fila para aparecer ao lado de Liminha e Luiza Ambiel. Quando Van Damme dançou com Gretchen, 44% dos televisores sintonizaram o SBT. Nunca uma ereção com trilha sonora de conga conga conga marcou tanta audiência no país.

O Gugu brejeiro, de entonação exagerada e trejeitos cuidadosamente ensaiados começou a brochar no dia 7 de setembro de 2003. A falsa entrevista com integrantes do PCC arranhou a credibilidade do animador, apontado como sucessor de Silvio Santos. Dali em diante, o que se viu foi um homem envergonhado.

Conforme os quadros de reforma de casas e reencontros familiares ganhavam espaço, o público do animador desligava a televisão. Caridade faz bem para a alma, mas não anima quem está em casa, ansioso pelos games melequentos que invariavelmente desaguavam na Lady Lu e no pintinho amarelinho.

Ou Gugu retoma o espírito dos seus anos de glória e afoga na banheira as ONGs e os deputados que desejam tornar as TVs mais dependentes do Estado ou nunca mais encontrará o sucesso.

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