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Televisão

“American Vandal” ri da falta de criatividade da Netflix

Da mesma maneira que “ER”, na década de 1990, deflagrou a temporada de caça dos dramas médicos, “Making a Murderer” abriu a temporada de caça das séries investigativas.

Nos últimos dois anos, dezenas de delegacias foram reviradas em busca de crimes mal solucionados e personagens cativantes. Por azar dos pesquisadores ou incapacidade dos produtores, nenhum projeto vingou.

Nesse sentido, “American Vandal” é mais que uma boa sátira ao jornalismo-ficção-verdade que soterra as plataformas de streaming. Produzida pela Netflix, maior entusiasta desse ornitorrinco cultural, a série é quase um pedido de desculpas pela falta de criatividade de executivos e roteiristas.

O alvo de “American Vandal” é o adolescente Dylan Maxwell (Jimmy Tatro), acusado de desenhar pintos nos carros de 27 professores. Apressadamente “condenado” pelos diretores da Hanover High School, ele só encontra apoio em Peter Maldonado (Tyler Alvarez) e Sam Ecklund (Griffin Gluck), colegas que decidem gravar um documentário para investigar paralelamente o caso.

A busca por novas provas, as abordagens embaraçosas e o suspense em momentos absolutamente estéreis são tão bem apresentados que parecem, de fato, extraídos de uma investigação real. O domínio pleno das técnicas de filmagem e roteirização dos mockumentaries e a interação dos atores fortalecem ainda mais o trabalho de Dan Perrault e Tony Yacenda, criadores da série.

“American Vandal” prova que não existe crime perfeito. Mas existe a sátira perfeita.

 

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