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Sociedade

A Vice problematiza até assassinato

Dia das Mães é sempre igual: shopping lotado, buzinaço no estacionamento, presentes parcelados em dez prestações e aquele agrado judicial para Suzane Von Richtofen enfim visitar… a estátua do Borba Gato?.

Os brasileiros ficam aborrecidos com as saidinhas. Não à toa. Se é ruim sair de casa com os bandidos no presídio, é ainda pior sair de casa com os bandidos fora do presídio. A elite, um pouco perversa, um pouco estúpida, não está muito preocupada com a lógica. Quer apenas usar o sangue alheio para escrever novas teorias.

Os passeios da princesa Richtofen começaram em 2015 e, até outro dia, eram explorados apenas pelos programas do Datena e do Gugu. A grande audiência desses apresentadores atraiu rapidamente a atenção dos sociólogos de redação de jornal. Bastaram dois anos para a Vice abrir a caixa de pandora e liberar a problematização do assassinato.

Em “Caso Bruno expõe discrepância de gênero na cobertura de crimes no Brasil”, artigo especialmente replicado nas semanas que antecedem o Dia das Mães, Amanda Cavalcanti sustenta que a sociedade machista é capaz de perdoar o goleiro Bruno, mas não tem humildade e ternura para abraçar Suzane Von Richtofen.

“Desde sua soltura, ex-goleiro do Flamengo voltou aos holofotes como se tivesse conquistado a redenção. O que isso diz sobre as diferenças de tratamento dado a homens e mulheres que cometeram crimes?”, questiona a impávida justiceira.

Não sei qual foi a fonte de Amanda Cavalcanti na época do artigo. O fato é que nenhum jornal, portal ou emissora de TV pediu salva de palmas e desfile em carro aberto para a população saudar Bruno em sua saída. Pelo contrário: criticou a decisão judicial, exibiu entrevistadas com promotores, repercutiu negativamente o contrato firmado com o Boa Esporte Clube e abriu espaço para a família de Eliza Samúdio expressar a (natural) revolta com a situação toda.

As regalias concedidas a Suzane Von Richtofen são, de fato, mais midiáticas que as regalias concedidas ao goleiro Bruno. A problematização é que é descabida. Ninguém persegue Suzane no Dia das Mães porque ela é mulher. Suzane é perseguida porque participou do assassinato da própria mãe. E deveria cumprir a pena inteira, sem benesses. Sem “diferença de tratamento”.

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