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Rádio

A Voz do Brasil: Enfim, o começo do fim

Por Bruno Lima

Em Brasília, continuarão sendo 19 horas. Dona Maria, porém, não precisará mais apressar-se em desligar o rádio. Há oito décadas a pobre senhora repetia o movimento religiosamente.

Com a sanção presidencial à lei que flexibiliza a exibição de “A Voz do Brasil”, a vida poderá seguir nas ondas curtas e médias sem a obrigatoriedade da interrupção da programação para a cadeia nacional obrigatória de rádios que, desde 1938, toca em uníssono as trombetas apocalípticas de O Guarani, pontualmente às sete da noite.

Não é o fim, mas é o começo dele. É bem verdade que imposições seguem mantidas e implantadas. A “atração” terá que ser veiculada no período entre 19h e 22h – ou seja, a última janela de exibição prevê o início do programa às 21h – e continuarão restritas as situações de não-veiculação, sujeitas à vagareza dos entes federados. Além disso, um aviso terá que ser veiculado pelas rádios informando o horário de início do programa.

Estamos bem distantes dos anos 30, década em que Getúlio foi presenteado com o formato e compartilhou o mimo com a Nação. A referência da dona de casa que atendia ao pedido do marido, cujo único meio de informação era o unicamente democrático rádio de outrora, mudou. Tudo muda o tempo todo no mundo, já tocava Lulu.

O rádio vive, ao contrário do que pregam os mais alarmistas. É por ele que, principalmente em trânsito, se pode acompanhar as notícias de última hora do turbulento universo político-jurídico nacional, as partidas de futebol do seu time enquanto não chega em casa para ligar a TV ou simplesmente ouvir uma boa seleção de músicas, especialmente na hora do rush. E claro, as sempre úteis e primordiais informações do trânsito.

Não é à toa que o prime-time do rádio brasileiro é justamente o horário em que estamos… Em trânsito. Indo e vindo. Em movimento. Como o rádio sempre esteve e estará. E, definitivamente, ninguém está nem aí para “A Voz do Brasil”.

BRUNO LIMA é publicitário por diplomação e profissão, jornalista por vocação, flamenguista por paixão e carioca graças a Deus. 

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