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Música

Em “Good Thing”, Leon Bridges segue o caminho da boa música

A estreia do cantor Leon Bridges em estúdio não poderia ter sido melhor: Coming Home foi um dos melhores discos de 2015. Para quem tinha apenas 26 anos e fazia sua estreia em estúdio, um começo e tanto. Três anos depois, o cantor retorna com Good Thing, segundo registro da carreira – já aviso que coloquei bastante expectativa no trabalho – de um dos mais promissores dessa nova geração de R&B que está surgindo.

O disco começa com “Bet Ain’t Worth the Hand”, um soul de arranjo bem delicado sobre tomar uma decisão errada e ficar remoendo isso por dentro. É uma boa maneira de começar, ainda mais quando “Bad Bad News” vem na sequência. A mistura de um ritmo mais animado com pitadas de jazz deu uma faixa dançante e cheia de estilo para falar de como é possível vencer mesmo “nascido para perder”.

O clima de sensualidade à la Marvin Gaye aparece em “Shy”. Esse tipo de canção precisa de uma combinação muito boa de letra e melodia para funcionar – há o risco de ficar estranho. O resultado aqui é muito bom, principalmente por Bridges comandar tudo muito bem. E a balada “Beyond” tem no refrão (“I’m scared to death that she might be it/That the love is real, that the shoe might fit/ She might just be my everything and beyond/ Space and time in the afterlife/ Will she have my kids? Will she be my wife?/ She might just be my everything and beyond”) seu grande trunfo para atrair atenção do ouvinte.

“Forgive You” é mais uma música em que o amor – entrando em mais detalhes: um coração partido – é o tema central da letra. Aliada a uma batida, a faixa funciona dentro da proposta do álbum e tem boa chance de encontrar milhares de pessoas por aí com o mesmo sentimento. Se “Lions” traz um cantor praticamente falando a letra ao invés de cantá-la, “If It Feels Good (Then It Must Be)” é uma faixa à la Prince em que o falecido cantor ficaria bem feliz com a homenagem.

A parte final do disco traz a dançante “You Don’t Know”, a balada “Mrs.” e a linda “Georgia to Texas”, faixa em que a banda usa um arranjo de jazz para contar a história da mãe do cantor. Um bonito encerramento.

Leon Bridges conseguiu fazer outro trabalho muito bom mais uma vez. A diversidade de temas e mistura de gêneros deixaram o disco bem redondo do início ao fim. Não é tão bom como o primeiro, mas ele segue no caminho certo com boa música. E é isso que importa.

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