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O jornalismo brasileiro está na privada

O Estadão noticiou nesta quinta-feira, véspera do feriado prolongado de Carnaval, o surgimento de pichações “homofóbicas e machistas” nas portas de alguns banheiros da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

A reportagem, inteiramente embasada no relato do coletivo LGBT Mackenzista, traz imagens das cabines vandalizadas e declarações de alunos preocupados com a intolerância ideológica.

Denunciar agressões é, de fato, uma das funções do jornalismo. O Brasil só vai progredir quando parar de rebolar, puxar uma cadeira e aceitar conversar. Repercutir rabiscos de banheiros públicos, entretanto, não é prerrogativa de jornalista.

Quem vive fora da bolha está acostumado a ler anúncios de sexo, piadas de futebol, filosofia popular e afins nos banheiros desde o ensino fundamental. Não é algo criado por alunos do Mackenzie. Muito menos por Jair Bolsonaro, que só ganha simpatizantes quando envolvido nessas besteiras.

Pior que a leitura equivocada da “notícia” é a construção da reportagem. Para emplacar uma pauta no Estadão, basta escrever meia dúzia de grosserias, bater uma foto e enviar à redação. Ninguém vai questionar a autoria, as circunstâncias ou arriscar qualquer apuração. Vale o relato dos coletivos.

Não é a primeira vez que o Estadão publica conteúdo do tipo. Em 2015, o coletivo Afromack, bastante ligado ao coletivo LGBT Mackenzista, enviou fotos de – adivinhem – pichações racistas em banheiros da universidade e também arrumou um espacinho no jornal. Investigação? Nenhuma.

A credibilidade da velha imprensa não está na porta do banheiro. Está dentro da privada.

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