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Programa da Igreja Universal faz “desafio” para suicidas e diz que médicos não curam depressão

O “Fala Que Eu Te Escuto” da última terça-feira explorou a depressão e o suicídio para atrair fiéis à Igreja Universal.

Ancorado pelo bispo Márcio, que mais parece um personagem do humorista Oscar Pardini, o teleculto da Record propôs um game show bizarro “para quem tem desejo de suicídio” e deu a entender que psicólogos e psiquiatras não entendem nada de saúde mental.

Todos os “doentes” que participaram do “Fala Que Eu Te Escuto” disseram tomar remédios, buscar ajuda profissional e praticar automutilação – uma incrível coincidência. Todos eles ouviram que “psicólogos e psiquiatras não vão poder resolver [esses problemas]” e que o sofrimento dos depressivos e suicidas só pode ser curado “pela fé” – outra incrível coincidência.

O bispo Márcio não ficou o tempo todo desacreditando a medicina e aterrorizando os doentes de verdade. Como os vendedores do finado 1406, arregaçou as mangas e testou ao vivo a eficácia do seu produto, exorcizando por telefone um encosto. Em menos de trinta segundos, a telespectadora desesperada estava curada e radiante.

A depressão é uma doença grave, que merece espaço na imprensa. O que a Igreja Universal fez – e faz com frequência – não é prestação de serviço. É irresponsabilidade. Quem aparece na TV às duas da manhã para brincar com a agonia de gente doente, afugentada por um mal invisível, merece a fama que tem.

Incomodado com as críticas ao programa nas redes sociais, o bispo Márcio disse que não perde tempo com quem não crê. Confiança é a alma do negócio.

  • mike-dagger

    Não é possível que esses criminosos não possam ser processados por charlatanismo.

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