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Globo de Ouro mantém fórmula da repercussão fácil


A 74ª edição do Globo de Ouro repetiu as anteriores na montonia – Jimmy Fallon é forçado e simpático demais para um cerimonial de três horas de duração e incontáveis breaks – e na metodologia usada para definir seus vencedores.

Os 90 votantes da premiação, todos ligados à Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood, continuam mais preocupados na projeção de novas séries do que na consolidação dos títulos que batem ponto no mercado há dois ou três anos.

Eleita a melhor série cômica, “Atlanta” é protagonizada, produzida e roteirizada por Danny Glover, um dos mais talentosos artistas dos Estados Unidos. A trama acompanha a rotina de dois primos que se arriscam no hip hop para ganhar dinheiro e dar uma condição de vida melhor para suas famílias.

O universo é bem construído, o texto é cortante e a edição é bastante boa – lembra os bons tempos de “Weeds”, outra série de trinta minutos que mesclava drama e humor, o que alguns críticos americanos chamam de “dramédia”. Mas falta muito para rivalizar com a ótima “Transparent”, agora disponível no Brasil (Amazon Prime).

Os jornalistas não escolheram “Atlanta” por causa dos negros. A série é efetivamente boa e Glover não quer ser militante quando declara às revistas americanas que deseja mostrar aos brancos uma cultura negra desconhecida por eles. A entrega do prêmio tem mais a ver com o desejo de ser diferente. Não parecer um garoto de recados do Emmy, o verdadeiro Oscar da televisão.

Em 2016, o Globo de Ouro sacrificou a mesma categoria na esperança de repercutir nos meios mais nobres. Com “Silicon Valley” e “Veep” entre os finalistas, os correspondentes preferiram reverenciar a bizarra “Mozart In The Jungle”, a versão adulta de “Glee”. Ano retrasado, outro acinte, desta vez entre os dramas: a vitória de “The Affair” sobre “House of Cards” – até “Game of Thrones” merecia mais.

A polêmica é um ingrediente indispensável no showbizz. Mas não o principal. Porque a repercussão é consequência. Nunca a causa.

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