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Cinema

Reviravoltas de “Um Pequeno Favor” não surpreendem

Poucos diretores conseguem, de fato, misturar gêneros variados em um único filme. Billy Wilder era um deles. “Se Meu Apartamento Falasse”, por exemplo, combina a comédia de Jack Lemmon com a sensibilidade de Shirley MacLaine. “Crepúsculo dos Deuses” é um drama sombrio, mas tem seus momentos de humor. O diretor Paul Feig, contudo, talvez tenha se inspirado em “Testemunha de Acusação” para fazer “Um Pequeno Favor” – com a diferença, é claro, que ele não é o Billy Wilder.

Já em cartaz no Brasil, “Um Pequeno Favor” conta a história de Stephanie (Anna Kendrick), uma mãe solteira que se envolve com a misteriosa Emily (Blake Lively). As duas não poderiam ser mais diferentes. Stephanie é tímida, mas participa de todas as atividades da escola e sempre executa tudo com perfeição. Emily é mais voltada ao trabalho, gosta de beber no meio da tarde e fala palavrões na frente do filho. A comédia surge, justamente, pelo estranhamento que uma provoca na outra – e o suspense chega com o desaparecimento de Emily.

O diretor quer muito que o espectador acredite que as duas desenvolveram uma amizade no curto período em que se conheceram, afinal, as personagens se consideram como “melhores amigas”. A relação delas, porém, não parece muito consistente, o que torna toda a série de reviravoltas (inúmeras, algumas previsíveis) um tanto quanto sem importância, pois não há uma verdadeira traição de confiança ou um grande senso de revelação. Tentando acomodar gêneros diferentes, Feig deixa de fazer o básico, que é estabelecer relações significativas entre as suas protagonistas.

Com uma carreira de sucesso em séries de humor como “Arrested Development” e “The Office”, Feig despontou ao estrelato com “Missão Madrinhas de Casamento” e, logo em seguida, desapontou com a refilmagem sem graça de “Caça-Fantasmas”. Depois do fracasso de bilheteria, “Um Pequeno Favor” pode ter sido a forma que o diretor encontrou de reinventar a própria carreira, mas não parece muito promissor.

Destaque, porém, para a atuação do ator Henry Golding, mais novo galã asiático de Hollywood, que está presente também no fenômeno “Podres de Ricos” (com estreia em novembro no Brasil). Ainda vamos vê-lo muitas vezes.

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