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Cinema

Crítica: “O Predador” é um filme inútil

Antes mesmo de chegar ao Brasil, “O Predador” ganhou destaque na mídia depois que a atriz Olivia Munn denunciou a contratação de Steven Wilder Striegel. Amigo pessoal do diretor Shane Black, que lhe deu pequenas participações em “Homem de Ferro 3” e “Dois Caras Legais”, Striegel se declarou culpado e passou seis meses preso por assediar, pela internet, uma garota de catorze anos. Em “O Predador”, ele apareceria dando em cima da personagem interpretada por Munn, mas a cena acabou cortada pela Fox para evitar mais publicidade negativa.

Em entrevista, Munn declarou: “Eu acredito em uma segunda chance, mas não consigo tolerar pessoas que abusam de crianças ou de animais. Você merece trabalhar, mas não em um filme ao meu lado. Você pode trabalhar em vários outros lugares, ou, sei lá, vender artesanato.” Para a atriz, mesmo um papel pequeno em um filme comercial, exibido no mundo todo, significaria um “pequeno grão de fama capaz de alcançar ou influenciar alguém”. Depois de toda a repercussão, o diretor pediu desculpas.

Dada esta informação, que pode ou não influenciar o seu desejo de pagar por um ingresso para assistir “O Predador”, vamos ao filme de fato.

É ruim.

Ninguém espera um suspense refinado – como, por exemplo, “Alien” – ao assistir uma recauchutagem de uma velha “sessão da tarde” com Arnold Schwarzenegger. O “Predador” original, de 1987, contava com um close do bíceps de Schwarzenegger ao cumprimentar o personagem de Carl Weathers. Era um filme burro, que fez parte da infância de muita gente, mas muito burro. A versão de Black não presta homenagem às características do original e também não melhora o que já foi feito. Ou seja, é inútil.

O diretor, que também é um dos roteiristas, abusa de clichês (como o menino com Síndrome de Asperger que é, na verdade, um gênio) e parece confundir excentricidade com carisma, criando personagens rasos, que nunca vão muito além de seus distúrbios. É até difícil de memorizar os nomes de todos eles. O resultado é um filme de ação em que o perigo e a morte não significam muito, porque não há uma base sólida para a empatia.

Tudo acontece de noite, com cenas escuras e barulhentas das criaturas (sim, no plural). A trama envolve um conflito complicado entre “espécies” (?) diferentes de predadores, mas não há foco. É, ao mesmo tempo, uma comédia que não funciona, uma ação que não empolga e um terror de filme B que não dá medo.

“O Predador” parece fruto de um brainstorm com meninos de doze anos.

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