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Cinema

Crítica: “Homem-Formiga e a Vespa” não é essencial, mas é divertido

Na eterna competição entre Marvel e DC, esta corrida espacial dos nerds, foi o problemático estúdio de “Liga da Justiça” que primeiro deu lugar a uma mulher como protagonista (e como diretora) em “Mulher-Maravilha”. Enquanto “Capitã Marvel” não chega aos cinemas, o lançamento “Homem-Formiga e a Vespa” deveria aplacar as críticas dos fãs que acham que a Marvel, em todos os seus dez anos de existência, jamais deu a mesma atenção a suas heroínas. Para o diretor Peyton Reed, o mesmo do primeiro “Homem-Formiga”, a estrela de seu novo filme é a Vespa (Evangeline Lilly) e não o personagem interpretado pelo carismático Paul Rudd. “Ela não é uma coadjuvante, é a protagonista, e esta é a sua história,” explicou o diretor.

O discurso é muito bonito e tem o potencial de atrair o público feminino, mas, na prática, o show ainda é do Homem-Formiga. Acompanhamos, na maior parte do tempo, o seu ponto de vista, as suas piadas e os seus conflitos. Apesar da trama principal envolver a família de Hope Van Dyne/Vespa, toda a missão de resgate de Janet Van Dyne (Michelle Pfeiffer) do reino quântico, com o auxílio de Dr. Hank Pym (Michael Douglas), parece mais um pano de fundo para os erros e acertos de Scott Lang/Homem-Formiga na tentativa de agradar “a patroa” – além, é claro, de inúmeras gags visuais com objetos desproporcionais que compensam o ingresso Imax 3D.

“Homem-Formiga e a Vespa” é o primeiro filme da Marvel depois do fatídico “Guerra Infinita” e pode ser considerado como uma sobremesa leve, após um prato principal de digestão mais complicada. Passado antes da chegada de Thanos, o mundo não corre perigo, então não é preciso ser sério. As piadas funcionam melhor do que no “Homem-Formiga” original, mas ainda de um jeito ingênuo ou até mesmo infantil, só que sem ser irritante. Os destaques são da agradável relação de Scott com a filha, do alívio cômico proporcionado pelo Agente Woo (interpretado pelo excelente Randall Park) e pelos funcionários da empresa de segurança que protagonizam uma das cenas mais engraçadas (a do soro da verdade).

Um pouco menos eficaz é Ava, ou Fantasma, interpretada por Hannah John-Kamen. Resultado de um experimento científico que deu errado, ela vive em agonia constante, dando pouco ou nenhum espaço para que a atriz expresse algo além de raiva e dor – o que, com o tempo, se torna monótono. A presença de Dr. Bill Foster (Laurence Fishburne) deveria humanizar a personagem, mas os sentimentos entre os dois não são bem explorados, tornando a resolução um tanto forçada e superficial.

No grande esquema do universo Marvel, “Homem-Formiga e a Vespa” não é uma obra indispensável – e também não traz, de verdade, uma mulher como protagonista. Se não fosse a conexão feita com “Guerra Infinita” na cena após os créditos, não haveria “necessidade” de assisti-lo. É, contudo, um filme leve e divertido, melhor que o original.

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