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Cinema

“Hereditário” é estranho e chocante

Mesmo com uma péssima classificação da CinemaScore, empresa americana que mede o nível de interesse dos espectadores em determinados filmes, o terror “Hereditário” segue firme na bilheteria americana graças ao boca a boca. Muito elogiado pela crítica desde o Festival de Sundance, a chocante obra do diretor novato Ari Aster se juntaria a outros queridinhos do gênero como “O Babadook” e “A Corrente do Mal”. Para a produtora independente A24, “Hereditário” já é um sucesso, superando em alguns milhões seu terror mais bem sucedido, “A Bruxa”. 

Há uma divisão, contudo, na opinião da crítica especializada e na do público em geral. No Rotten Tomatoes, 91% da crítica recomenda o filme, enquanto apenas 56% dos usuários comuns aprovou. “Hereditário” é, sobretudo, uma preciosidade de festivais, que deve agradar aos fãs mais devotos do gênero, e não um terror convencional de larga escala como o blockbuster “It – A Coisa”. 

Em atuação inspirada, Toni Colette (“O Sexto Sentido”) interpreta Annie, uma artista que acaba de perder a mãe e não sabe como lidar com o luto, pois a relação com ela sempre foi bastante conturbada. Sua filha Charlie (Milly Shapiro) é quem mais sofre com a morte da avó. Já Peter (Alex Wolff), filho mais velho de Annie, parece não se importar muito com nada e prefere gastar a maior parte do seu tempo usando drogas com os amigos. No meio disto tudo, está o paciente marido Steve (Gabriel Byrne), que tenta aliviar todas as tensões da família.

De uma forma bastante geral, todo terror trata da morte. Filmes com psicopatas assassinos ou fantasmas vingativos lidam com o medo da morte, enquanto clássicos do gênero como “Frankenstein”, “Drácula” ou “A Noite dos Mortos-Vivos” retratam o horror daqueles que desafiam a morte. Morrer parece assustador e doloroso, mas é também um processo natural, que não deve ser desrespeitado. “Hereditário” é, de certa forma, um estudo sobre o luto e como a morte afeta os diferentes membros da família, seja com apatia, profunda tristeza, choque ou sentimentos de culpa.

Com um ritmo estranho, que intercala longos períodos de calmaria com cenas tão chocantes que chegam a tirar o fôlego, a tensão de “Hereditário” não segue uma progressão estável. É como uma montanha-russa com muitos trechos em linha reta e quedas vertiginosas que aparecem quase do nada. É diferente de “Atividade Paranormal”, por exemplo, em que as manifestações vão ficando gradativamente piores a cada noite que se passa. “Hereditário” parece ter uma noção mais subjetiva de tempo, há dias bons e dias ruins, dependendo do estado de espírito dos personagens – mas os últimos momentos são como um surto psicótico.

Durante uma aula de literatura na escola, o professor de Peter pergunta à classe se é mais ou menos trágico quando os personagens não têm o controle de seus destinos. O título original “Hereditary” – com tradução fiel no Brasil – pressupõe uma linhagem de características sem escapatória, implacável como a morte.

Antes de assistir, é bom evitar trailers e até algumas imagens de cenas do filme.

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