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Cinema

“A Forma da Água” é um tributo a Amélie Poulain

Indicado a 13 Oscars, “A Forma da Água” conta a história de amor entre Elisa Esposito (Sally Hawkins), faxineira que perdeu a voz na infância, e um Homem-Anfíbio (Doug Jones) capturado pelo coronel Richard Strickland (Michael Shannon) na década de 1960.

A relação desses improváveis pombinhos tem início quando Elisa encontra o cativeiro do Homem-Anfíbio no laboratório militar de Baltimore. Encantada com as formas e cores reveladas naquele aquário de segurança máxima, a afônica faxineira tenta diminuir o sofrimento do misterioso amigo e estabelecer contato com ele.

Apatetada como Amélie Poulain, personagem mais desagradável do cinema contemporâneo, Elisa arrisca todo tipo de diálogo com o Homem-Anfíbio. As tentativas correspondidas eram celebradas com um sorriso sonso e orgulhoso. Os jantares improvisados, com ovos cozidos e perninhas balançando no ar, assinalavam o parentesco entre a faxineira americana e a garçonete francesa.

Repleto de musicais chatos, que macaqueiam a intenção de “O Artista” de celebrar o velho cinema, “A Forma da Água” carbura depois de uma hora de enrolação, quando as versões criminosas de Giles (Richard Jenkins) e Zelda (Octavia Spencer), melhores amigos de Elisa, entram em cena para resgatar o Homem-Anfíbio. O plano funciona, mas obviamente desperta a atenção do caricato coronel Strickland, que persegue seus algozes até a morte.

Em entrevista ao “Huffington Post”, Guillermo Del Toro disse que “A Forma da Água” é um filme sobre conexões e poderia se chamar “Um Conto de Fadas para Tempos Complicados”. A declaração endossa os críticos que veem a obra como um tributo aos oprimidos, mas não devolve o dinheiro do ingresso dos rabugentos que não confundem amor com afetação.

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“A Forma da Água” está em cartaz nos cinemas brasileiros desde 1º de fevereiro.

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